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domingo, 26 de janeiro de 2014

A vida é problema, tentativa de solução, e pausa,

A vida é problema, e solução,

Homeopatia, acupuntura ou floral. Cristianismo, budismo ou taoísmo. Espiritismo ou meditação transcendental. Psicologia ou psicanálise (freudiana, junguiana, lacaniana ou existencialista).

Tudo isso funciona, desde que você esteja disposto a encarar os seus problemas, buscar as soluções e se esforçar.

É o sempre novo e difícil ensinamento de não se revoltar com o cisco no olho do outro, mas observar e tirar a trava dos nossos olhos. Porque tanto problema como solução não estão fora de nós.

O filósofo Karl Popper propôs que a essência da vida e da mente humana é a percepção de problemas e as tentativas de resolver esses problemas. Mas não podemos esquecer que as pausas (o sono, o domingo, o dolce far niente) também são essenciais. Então, corrigindo: a vida é problema, tentativa de solução, e pausa,

A falecida, de Nelson Rodrigues

Em A falecida, homens e mulheres vivem em mundos completamente diferentes e mutuamente incompreensíveis. A peça gira em torno do casal Zulmira e Tuninho; ele desempregado e ela doente. Enquanto Zulmira está obcecada em conseguir um enterro de luxo para si, Tuninho só pensa no Vasco x Fluminense de Domingo. De maneira genial, jogo e enterro vão acontecer no mesmo dia.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Insista!

Toda a filosofia de Karl Popper, considerado um dos filósofos mais importante do século XX, parte da ideia simples de que podemos aprender com nossos erros. Com essa ideia central, ele desenvolveu sua filosofia da ciência, exposta no livro Lógica da Pesquisa Científica, e sua defesa da democracia contra os regimes autoritários, no antológico A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, publicado depois da 2ª Guerra Mundial.

Podemos aprender com nossos erros. Note: podemos aprender, mas não aprendemos necessariamente com os nossos erros. Podemos também, e normalmente o fazemos, nos agarrar dogmaticamente às nossas ideias e ações, reagindo às críticas e a qualquer insinuação de que possamos estar errados.

Podemos aprender com nossos erros. Aliás, só podemos aprender com os nossos erros. Quando tentamos qualquer coisa, podemos acertar de primeira por sorte; mas não aprendemos, e vamos errar em novas tentativas. Podemos acertar de primeira alguma coisa tão simples que já sabíamos, como gritar, mas isso também não é aprender. E, finalmente, podemos errar com a convicção de estarmos certos; nesse caso, além de errar, não vamos aprender enquanto durar nossa arrogância.

Podemos aprender com nossos erros. Essa ideia central, que Karl Popper usou para desenvolver sua filosofia, também serve para lançarmos um olhar mais compassivo para os outros e para nós mesmos.

Podemos aprender com nossos erros. Portanto, não se desespere nem se envergonhe de seus tropeços, dos caminhos equivocados, da falta de jeito, das grandes e das pequenas dificuldades. É normal, é humano. Perdoemo-nos uns aos outros nossas bobagens.  A boa notícia é que podemos ir além de nós mesmo, além de nossas capacidades, se nos dispusermos a aprender com nossos erros. Portanto, não desista; insista.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A paisagem da vida e nós

A paisagem da vida é estupenda e bela. Mas, para os estabanados construtores dessa paisagem (nós), viver é quase sempre conflito e sofrimento.

Somos todos falíveis, o caminho de cada um é feito de tentativas, erros, aprendizagem, novas tentativas, novos erros e novas descobertas. Desejo diluído em dúvida e medo.

Por isso a lei entre os homens não é julgar uns aos outros (nem a si mesmo), mas amar uns aos outros (e a si mesmo).

Erramos o tempo todo; mas de repente, aqui e ali, de tanto tentar e corrigir, mesmo sem saber, também acertamos.