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quinta-feira, 25 de março de 2010

TERRA SONÂMBULA – brincriações com as palavras

Não sabia que as palavras eram tão férteis, dadas a juntamentos e procriações. Nas postagens anteriores já apareceram alguns exemplos: brincriação, miraginação, chafundar, sonhambulante. Acrescento outros exemplos retirados do livro:

Redemoníaca = redemoinho + demoníaca
O velho e o moço querem segurar o corpo do covador, mas a corrente, redemoníaca, cresce em fúrias desordenadas.

Inutensílio = utensílio + inútil
Já o inutensílio tinha o comprimento de uma porção de metros.

Exactamesmo = exatamente + mesmo (reforça e tira o sufixo mente, que pode provocar desconfiança)
— É por isso que essa guerra não acaba nunca mais. É assim, exactamesmo.

Veementindo = mentir + veemência
Neguei, veementindo. (pg. 142)

Luaminosas = luminosa + lua
Algumas belezas, em mulher se tratando, nascem depois da meninice. São essas as mais luaminosas.

Muçulmania = mania + muçulmana
Sempre aquelas muçulmanias, servindo os prazeres do senhor. Nos cumes do acto de amor, ela interrompia: assim, está bem para si?

Carolinda = Carolina + linda
Eu sei que em cada mulher a gente lembra outra, a que nem há. Mas Carolinda me entregava esta doce mentira, o impossível cálculo do amor: dois seres, um e um, somando o infinito.

Embriagordo = embriagado + gordo; atordoído = atordoado + doído
Deitado num velho muro, ventre inchado, embriagordo. Atordoído, titupiante, Quintino se explicou:
— Hoje sou cobra com cócega na barriga, não saio do lugar.

Timiudamente = miúdo (criança no português de Moçambique) + timidamente
Timiudamente, despontam os primeiros fios de conversa e os dois se vão confiando.

Administraidor = administrador + traidor
— É culpa de Estevão Jonas, meu marido. É por isso que lhe chamo administraidor.

quarta-feira, 24 de março de 2010

SONHO/FANTASIA/ESTÓRIA EM TERRA SONÂMBULA (citações)

O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro. (pg. 5)

A lua parece ter sido chamada pela voz de Muidinga. A noite toda vai se enluarando. Pratinhada, a estrada escuta a estória que desponta dos cadernos. (pg. 14)

As estórias dele faziam nosso lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo.(pg. 15)

E assim seguia nossa criancice, tempos afora. Nesses anos ainda tudo tinha sentido: a razão deste mundo estava num outro mundo inexplicável. Os mais velhos faziam a ponte entre estes dois mundos. (pg. 17)

A guerra é uma cobra que usa os nossos próprios dentes para nos morder. Seu veneno circulava agora em todos os rios de nossa alma. De dia já não saíamos, de noite não sonhávamos. O sonho é o olho da vida. Nós estávamos cegos. (pg. 18)

Então ele com um pequeno pau rabisca na poeira do chão: “AZUL”. Fica a olhar o desenho, com a cabeça inclinada sobre o ombro. Afinal, ele também sabia escrever? Averiguou as mãos quase com medo. (pg. 37)

Muidinga repara que a paisagem, em redor, está mudando suas feições. A terra continua seca mas já existem nos ralos capins sobras de cacimbo. Aquelas gotinhas são, para Muidinga, um quase prenúncio de verdes. (pg 49)

Era verdade: que valores arrecadava o autocarro agora que as reservas de comida se esgotavam? Porém, para Muidinga, não regressar seria enorme desgosto. Ele se admira: o que o prendia àqueles destroços na estrada? Então, lhe veio a resposta clara: eram os cadernos de Kindzu, as estórias que ele vinha lendo cada noite. E sente saudade das linhas, tantas quanto os passos que agora desfia pelos atalhos. (pg. 51)

Ela só tinha um remédio para se melhorar: era contar sua história. (pg. 62)

E ao ouvir os sonhos de Tuahir, com os ruídos da guerra por trás, ele vai pensando: “não inventaram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de explodir os homens sem lhes matar. Uma pólvora que, em avessos serviços, gerasse mais vida. E do homem explodido nascessem os infinitos homens que lhes estão por dentro”. (pg. 68)

Muidinga olha a paisagem e pensa. Morreu um homem que sonhava, a terra está triste como uma viúva. (pg. 89)

— Não dorme, tio?
— Não. Desconsigo de dormir.
— É por causa do homem do rio.
— Nada. Nem lembro isso. É que sinto falta das estórias.
— Quais estórias?
— Essas que você lê nesses caderninhos. Esse fidamãe desse Kindzu já vive quase conosco. (pg. 90)

À volta do machimbombo Muidinga quase já não reconhece nada. A paisagem prossegue suas infatigáveis mudanças. Será que a terra, ela sozinha, deambula em errâncias? De uma coisa Muidinga está certo: não é o arruinado autocarro que se desloca. Outra certeza ele tem: nem sempre a estrada se movimenta. Apenas a cada vez que ele lê os cadernos de Kindzu. No dia seguinte à leitura, seus olhos desembocam em outras visões. (pg. 99)

Precisava salvar Farida porque ela me salvava da miséria de existir pouco. Havia, por fim, um alguém que não estava metido no mesmo lodo em que chafundávamos, alguém que mantinha a esperança, louca que fosse. Farida, ao menos, tinha uma ilha com um inviável farol, um barco que viria de lá onde habitam os anjonautas.

Ao avistar a praia de Matimati, comprovei como são nossos olhos que fazem o belo. Meu estado de paixão puxava um novo lustro àquela terra em ruínas. Aquelas visões, dias antes, já tinham estado em meus olhos. Porém, agora tudo me parecia mais cheio de cores, em assembleia de belezas. (pg. 104)

— Sabe, miúdo, o que vamos fazer? Você me vai ler mais desses escritos.
— Mas ler agora, com esse escuro?
— Acendes o fogo lá fora.
— Mas, com a chuva, a lenha toda se molhou.
— Então vamos acender o fogo dentro do machimbombo. Juntamos coisa de arder lá mesmo.
— Podemos, tio? Não há problema?
— Problema é deixar esse escuro entrar na cabeça da gente. Não podemos dançar nem rir. Então vamos para dentro desses cadernos. Lá podemos cantar, divertir. (pg. 125 e 126)

Tudo acontecera na vizinhança do autocarro. Era o país que desfilava por ali, sonhambulante. Siqueleto esvaindo, Nhamataca fazendo rios, as velhas caçando gafanhotos, tudo o que se passara tinha sucedido em plena estrada.
— É miúdo, estamos a viajar: nesse machimbombo parado nós não paramos de viajar. Me faz lembrar quando andava no comboio. (pg. 137)

O velho pede então que o miúdo dê voz aos cadernos. Dividissem aquele encanto como sempre repartiram a comida. Ainda bem você sabe ler, comenta o velho. Não fossem as leituras eles estariam condenados à solidão. Seus devaneios caminhavam agora pelas letrinhas daqueles escritos. (pg. 139)

Olhando as alturas, Muidinga repara nas várias raças das nuvens. Brancas, mulatas, negras. E a variedade dos sexos também nelas se encontrava. A nuvem feminina, suave: a nua-vem, nua-vai. A nuvem-macho, arrulhando com peito de pombo, em feliz ilusão de imortalidade.

E sorri: como se pode jogar com as mais longínquas coisas, trazer as nuvens para perto como pássaros que vêm comer em nossa mão. (pg. 153)

— Conte, tio. Se é uma estória me conte, nem importa se é verdade. (154)

O que vi ali me encheu de fantasia, estórias de reaver este mundo onde não cabemos. (Pg. 158)

Mais Virgínia repete os contos mais a verdade se resvala: o avô Cruz de olhos louros, hoje; amanhã um negro de rosto carapinhoso. A criançada nem se importa. Verdade, em infância, é um jogo de brincar. Em redor da anciãzinha, os miúdos sempre folgam, sem desilusão. Com gesto largo, ela pede menos barulho. Deixassem chegar, audíveis, as ordens de Deus. Que ele que mandava os viventes descansarem:

— Vocês com vosso barulho nem me deixam ouvir a ordem Dele. Se calhar, até já me mandou descansar, nem dei por isso...(pg 160/161)

— Vovó, deixe ele viver! Só um bocadinho!
— Para o quê?
— Para ele nos contar a estória dele. (pg. 163)

Tuahir mira e admira. Há dias que não se arredam do machimbombo. No entanto, a paisagem em volta vai negando a aparente imobilidade da estrada. (pg. 174)

— O que andas a fazer com um caderno?
— Nem sei, pai. Escrevo conforme vou sonhando.
— E alguém vai ler isso?
— Talvez.
— É bom assim: ensinar alguém a sonhar.
— Mas pai, o que passa com essa nossa terra?
— Você não sabe, filho. Mas enquanto os homens dormem, a terra anda procurar.
— A procurar o quê, pai?
— É que a vida não gosta sofrer. A terra anda procurar dentro de cada pessoa, anda juntar os sonhos. Sim, faz conta ela é uma costureira dos sonhos. (pg. 182)

A menina recordava coisas que nunca houveram. Mas punha tanta alma na lembrança que todos se recordavam com ela. Acontecera com o dilúvio dos dinheiros, moedas chovendo sem parar, cobrindo o chão de pratas e tilintações. E todos refugiados se lançaram de gatas, facocherando na poeira. Não fora a única visão de Jotinha, suas miraginações se seguiam sempre contra o regime da realidade. (pg. 186)

— Pare, Euzinha, pare!
— Não vê que estou parada, o mundo é que está dançar.
Assim, pondo a terra a girar, em brincriação de menina, fechou os olhos com doçura. (pg. 192)

As ondas vão subindo a duna e rodeiam a canoa. A voz do miúdo quase não se escuta, abafada pelo requebrar das vagas. Tuahir está deitado, olhando a água a chegar. Agora, já o barquinho balouça. Aos poucos se vai tornando leve como mulher ao sabor de carícia e se solta do colo da terra, já livre, navegável. Começa então a viagem de Tuahir para um mar cheio de infinitas fantasias. Nas ondas estão escritas mil estórias, dessas de embalar as crianças do inteiro mundo. (pg. 196)

TERRA SONÂMBULA, DE MIA COUTO

Em meio à devastação da guerra civil em Moçambique, o menino Muidinga e o velho Tuhair caminham por uma estrada abandonada, murchos e desesperançados. É preciso salvar a alma do menino Muidinga, sem família e sem memória. O corpo do menino foi salvo pelo velho Tuahir, quando todos no campo de refugiados já o tinham abandonado. Mas como pode Tuahir salvar a alma do menino, se a sua, se existe, está escondida sob camadas de desilusão? Também é preciso salvar a alma do velho Tuahir.


Os dois companheiros abrigam-se em um ônibus queimado, próximo ao qual encontram uma mala com roupa, comida e os cadernos de Kindzu. Terra Sonâmbula, de Mia Couto, narra o renascer poético de Muidinga e Tuahir provocado pela leitura dos cadernos de Kindzu. E o que há de mágico nesses cadernos? A narrativa fabulosa da história de Kinkzu, com outras histórias dentro, que despertam sonhos e fantasias. Os sonhos e fantasias transformam a vida de Muidinga e Tuahir, ainda que eles permaneçam naquela mesma estrada.

Mas não é apenas os dois companheiros que escutam as fantasias do caderno de Kindzu, também a terra morta pela guerra escuta aquelas histórias. E, quem sabe, a terra não esteja morta? Quem sabe esteja apenas dormindo? E já comece a se mover, sonhambulante, à força dos sonhos de Tuahir, de Muidinga, de Kindzu...:
"— O que andas a fazer com um caderno?
— Nem sei, pai. Escrevo conforme vou sonhando.
— E alguém vai ler isso?
— Talvez.
— É bom assim: ensinar alguém a sonhar.
— Mas pai, o que passa com essa nossa terra?
— Você não sabe, filho. Mas enquanto os homens dormem, a terra anda procurar.
— A procurar o quê, pai?
— É que a vida não gosta sofrer. A terra anda procurar dentro de cada pessoa, anda juntar os sonhos. Sim, faz conta ela é uma costureira dos sonhos."

DEGUSTAÇÃO NO SITE DA COMPANHIA DAS LETRAS!!! 



domingo, 21 de março de 2010

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

A história contada por José Saramago no livro Ensaio sobre a cegueira começa com um homem que fica cego, de repente, enquanto espera o sinal verde ao volante de seu carro. Além de repentina, essa cegueira é algo estranha, pois o homem ao invés de mergulhar nas trevas, vê tudo branco, como se estivesse imerso num mar de leite. A mulher do primeiro cego o leva ao oftalmologista, que é o médico de olhos e deve saber do que se trata. No princípio nos parece que este médico será o protagonista da história, este médico atencioso e abnegado que estava com o consultório repleto de pacientes e que vai estudar em casa até altas horas à procura de alguma luz sobre o estranho caso de cegueira branca que apareceu num homem com olhos perfeitos – “aquele homem não devia estar cego”. Enganamo-nos, o médico não é o protagonista desta história, nesta mesma noite cega este médico, logo cegam os pacientes que estavam no seu consultório, e nessa escalada cegarão governo, autoridades, soldados, enfim, todo mundo. A nossa protagonista é a mulher do médico, única a enxergar neste mundo de cegos (“...mas nenhum de nós, candeias, cães ou humanos, sabe, ao princípio, tudo para que tinha vindo ao mundo”, pg. 260). A mulher do médico é a única a se entregar ao socorro dos cegos mesmo sabendo do perigo de contágio. Seus olhos guiarão um grupo de desconhecidos que logo se constituirá em uma autêntica família: o médico, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o menino estrábico, a rapariga dos óculos escuros e o velho da venda preta. O médico, que não pode dizer nada a respeito dessa cegueira que desafia qualquer razão, terá que se recolher a um papel que nem secundário é, já que a rapariga dos óculos escuros e o velho da venda preta tornam-se mais importantes neste mundo transformado, pois, ainda que cegos, entendem melhor a visão da mulher do cego.

O ponto de partida do livro é surrealista: uma cegueira branca que acomete todos menos a mulher do médico, sem qualquer explicação. Mas os fatos relatados são extremamente realistas: a quarentena, o medo, a sujeira, os conflitos, a vida que surge daí, a degradação da sociedade etc. Uma obra-de-arte é um caleidoscópio que permite infinitas visões, assim também se pode ver por trás da narrativa de José Saramago um lindo poema sobre a arte e o invisível para o qual aponta. Afinal, nos dias de hoje a arte deve agradecer se lhe oferecem o papel coadjuvante de mulher do médico. No entanto, como a mulher do médico, a arte é a única a enxergar em um mundo de cegos (“A responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”, pg. 241). Se a ciência e os olhos vêem o visível, a arte vê o invisível e com os olhos da arte também o homem é capaz de ver o invisível que dá significado mesmo à vida mais miserável.

Um escritor aparece brevemente no livro, cego também, mas pacientemente escrevendo um livro que ninguém pode ler. Já quase esgotada em seu esforço de ser os olhos do mundo, a mulher do médico entra em uma igreja para se recuperar. Ao levantar o rosto, vê que “todas as imagens da igreja tinham os olhos vendados, as esculturas com um pano branco atado ao redor da cabeça, as pinturas com uma grossa pincelada de tinta branca, e estava além uma mulher a ensinar a filha a ler, e as duas tinham os olhos tapados, e um homem com um livro aberto onde se sentava um menino pequeno, e os dois tinham os olhos tapados, e um velho de barbas compridas, com três chaves na mão, e tinha os olhos tapados, e outro homem com o corpo cravejado de flechas, e tinha os olhos tapados, e uma mulher com uma lanterna acesa, e tinha os olhos tapados,(...), só havia uma mulher que não tinha os olhos tapados porque já os levava arrancados em uma bandeja de prata (pg. 301)”. A mulher do médico, as imagens da arte, a literatura, esses olhos servidos numa bandeja de prata, ainda que continuem a ver, também vão se tornando cegos à medida que menos pessoas os enxergam. Quando a mulher do médico informa ao marido que todas as imagens da igreja estão com os olhos vendados, trava-se o seguinte diálogo, iniciado pelo médico: “Que estranho, por que será, Como hei-de eu saber, pode ter sido obra de algum desesperado da fé quando compreendeu que teria de cegar como os outros, pode ter sido o próprio sacerdote daqui, talvez tenha pensado justamente que uma vez que os cegos não poderiam ver as imagens, também as imagens deveriam deixar de ver os cegos, As imagens não vêem, Engano teu, as imagens vêem com os olhos que as vêem, só agora a cegueira é para todos, Tu continuas a ver, Cada vez irei vendo menos, mesmo que não perca a vista tornar-me-ei mais e mais cega cada dia porque não terei quem me veja (pg. 302)”.

Dentro do livro, há belos quadros pintados com palavras: a mulher do médico que serve água pura em copos de cristal (“No fim, disse, Bebamos. As mãos cegas procuraram e encontraram os copos, levantaram-nos tremendo, Bebamos, repetiu a mulher do médico. No centro da mesa, a candeia era como um sol rodeado de astros brilhantes. Quando os copos foram pousados, a rapariga dos óculos escuros e o velho da venda preta estavam a chorar.” pg. 264); as três mulheres lavando a roupa e se lavando na chuva (“três graças nuas sob a chuva que cai”, pg. 267); a rapariga dos óculos escuros ensaboando as costas do velho da venda  preta (“, era um homem de espuma, branco no meio de uma imensa cegueira branca onde ninguém o poderia encontrar, se o pensou enganava-se, nesse momento sentiu que umas mãos lhe tocavam as costas, que iam recolher-lhe a espuma dos braços, do peito também, e depois lha espalhavam pelo dorso, devagar, como se, não podendo ver o que faziam, mais atenção tivessem de dar ao trabalho”, pg. 270).

Ao fim do livro, a cegueira branca desaparece, na rua coberta de lixo as pessoas gritam e cantam. O médico começa a retomar sua preponderância diante das mazelas lógicas: ele irá operar a catarata do velho da venda preta. A mulher do médico, novamente recolhida ao papel secundário, conversa com o marido:

“Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”

(Texto de setembro de 2008)