AVALIE, COMENTE, CRITIQUE; QUERO SABER SUA OPINIÃO

terça-feira, 27 de março de 2012

Perguntas do Rodrigo


– Pai, por que não podia ser sábado, domingo, segunda; sábado, domingo, segunda?
– Você ia ficar burro, não ia dar pra aprender tudo que você aprende na escola.

– Pai, por que que existe maldade?
– Essa é uma pergunta difícil. Não sei, meu filho. Seria bom se não houvesse maldade.

Alguns dias depois me veio uma resposta para a pergunta do Rodrigo. A maldade existe para que possa existir bondade. Mas ele estava desenvolvendo um assunto mais importante:

– Podia ser sábado, domingo, segunda, terça, quarta; sábado, domingo, segunda, terça, quarta. E eu não ia ficar burro!
– Não, não ia ficar não. Ia ser bem legal.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Feliz por nada, de Martha Medeiros

Feliz por nada é um livro gostoso. Desde a primeira crônica nos gruda um sorriso no lábio e um  cúmplice "não é que é mesmo!" na cabeça .

Uma conversa animada, mas não com a Martha Medeiros. O texto nos dá a sensação de uma conversa interior, fluente como o vinho. Estimula cada leitor a passear pelos seus medos, desejos, alegrias e tristezas. E a ser, como aconselhava Sêneca, amigo de si mesmo e desta loucura chamada vida: "Perguntas-me qual foi o meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo."

Feliz por nada é um divertido acerto de contas com a vida, suas grandes imperfeições e pequenas maravilhas.

Abaixo, um pequeno texto feio com os títulos de algumas crônicas do livro:

Carta ao Rafael:
A era do compacto, Insatisfação crônica, A turma do dããã, A dama e o rottwailler, Baderna cerebral, A fé de uns e de outros. Ai de nós, quem mandou? Em que esquina dobrei errado? E se tivesse sido diferente? Depois se vê, não; esteja, receba O que a vida oferece, que Tudo pode dar certo.
Quando Deus aparece, O Deus das pequenas coisas, Dentro de um abraço, Atravessando a fronteira do oi, Cresça e divirta-se. Traia o "Eu nasci assim, vou morrer assim" e experimente o "Nunca imaginei um dia".
Viaje para a Terra do se, entre para A escola da vida, escute os Sons que confortam, acolha O amor que a vida traz, seja Amigo de si mesmo, e viva A vida sem rodinhas.
Troque Figurinhas, dê Beijo em pé e Confie em Deus, mas tranque seu carro.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Religião para ateus, de Alain de Botton


Certa época, muito tempo atrás, a gravadora do cantor João Gilberto contratou um psicólogo para acompanhá-lo. Ao entardecer, entre amigos na Praia de Itapuã, João fala:
– O vento está despenteando os coqueiros.
– Mas coqueiro não tem cabelo – pondera o psicólogo.
– E tem gente que não tem poesia – João encerra a discussão.

A discussão entre novos ateus e religiosos a respeito da existência de Deus lembra a conversa na Praia de Itapuã, sem o fecho genial do João Gilberto. Os novos ateus escrevem livros para provar que coqueiros não têm cabelos. Os religiosos, ofendidos,  retrucam que os coqueiros, sim, têm cabelos, em vez de dizer que a linguagem da religião é poética, portanto não há em seus textos, rituais ou celebrações qualquer afirmação objetiva sobre os fatos ou a natureza das coisas. 

O livro Religião para ateus, de Alain de Botton, passa ao largo da questão sobre a existência de Deus e trata de um problema bem mais real. Ele mostra, com diversos exemplos, como a vida moderna sem religião expõe as pessoas (ateus e não ateus) a uma série de carências que as instituições seculares não conseguem preencher. Em contraste, o autor revela como as práticas religiosas tradicionais ajudavam os fiéis a: 1) enfrentar as principais dificuldades da vida (solidão, medo da morte, ansiedade, falta de sentido, destempero); e 2) desenvolver os sentimentos e as virtudes fundamentais para o bem-estar (gentileza, compaixão, ternura, fé, gratidão, fortaleza). 

A religião (ou religiosidade), quer Deus seja “apenas” nossa invenção quer corresponda a uma realidade externa, faz falta.

Religião para ateus e não ateus – Embora escrito por e para ateus, o livro não se prende ao grupo dos que se dizem ateus. O tema principal é a importância do envolvimento emocional em  práticas religiosas sofisticadas. E, no mundo moderno, boa parte dos religiosos ou não participa de uma rotina de práticas, ou não se envolve emocionalmente com os rituais, tendo perdido completamente a intimidade com as grandes narrativas de sua religião e o amor pelo divino.

Leia aqui trechos de Religião para ateus:

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Invenções

Os números não existem na Natureza.
Os números são invenção do homem.
Mas os números permitem, ao homem,
conhecer melhor o corpo da Natureza

Deus não existe na Natureza.
Deus é invenção do homem.
Mas Deus permite, ao homem,
conhecer melhor o espírito da Natureza.