AVALIE, COMENTE, CRITIQUE; QUERO SABER SUA OPINIÃO
segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
Dedicatória a Regina (no seu aniversário de 80 anos)
Obrigado, mamãe.
Por ter me dado à vida.
Pelas vezes que me chamou a atenção, e pelas que deixou passar.
Por ter dado a sua opinião e o seu silêncio.
Por ter me abraçado e me soltado.
Por ter sido mãe, mas não muito, nem demais.
Por esta criação imperfeita que me deixou, tropeçando e levantando,
descobrir meus próprios caminhos.
Parabéns pelos seus 80 anos.
E continuemos assim, você aos 80 e eu aos 43,
como jovens exploradores buscando novos e próprios caminhos.
Com amor do seu filho,
Roberto
(03/10/2010)
terça-feira, 19 de novembro de 2024
Sabedoria e Futebol
Em poucas partidas de futebol cabem toda literatura e toda sabedoria de vida. Aliás, muitos torcedores poderiam ter uma relação mais saudável com sua paixão se lessem os grandes livros de literatura e filosofia e aprendessem suas lições. Os temas da literatura e da filosofia de vida são os mesmos que transbordam do maltratado coração do torcedor de futebol:
1) A roda da fortuna. É a força do destino sempre em movimento levantando e derrubando torcedores, jogadores e times de futebol. Assim como a roda não vê quem ela carrega para cima e para baixo em suas engrenagens, nós também não podemos vê-la. Não sabemos, portanto, se estamos no ápice e vamos começar a descer, se estamos no nadir e vamos começar a subir, se vamos subir ou descer ainda mais, nem a velocidade do seu movimento. O melhor a fazer é manter o coração no presente: não deixar que medos e sonhos ofusquem a alegria de uma vitória, nem que as derrotas joguem suas sombras no futuro incerto.
2) O sofrimento e a alegria. O sofrimento e a alegria estão relacionados aos desejos frustrados ou realizados. E é a qualidade do time que diz ao torcedor o que pode ambicionar. Assim, o torcedor pode ficar eufórico em um ano porque seu time ficou entre os dez primeiros colocados e sofrer muito no ano seguinte com um vice-campeonato. Arthur nos ensina em seu livro Aforismas para a sabedoria de vida: “Um homem que nunca alimentou a aspiração a certos bens, não sente de modo algum a sua falta e está completamente satisfeito sem eles; enquanto um outro, que possui cem vezes mais do que o primeiro, sente-se infeliz, porque lhe falta uma só coisa à qual aspira. A esse respeito, cada um tem um horizonte próprio daquilo que pode alcançar, e suas pretensões vão até onde vai esse horizonte. Quando algum objeto se apresenta para ele nos limites desse horizonte, de modo que possa ter confiança em alcançá-lo, sente-se feliz; ao contrário, sente-se infeliz quando dificuldades advindas o privam de semelhante perspectiva. Aquilo que reside além desse horizonte não faz efeito sobre ele. Eis por que as grandes posses dos ricos não inquietam o pobre, e, por outro lado, o muito que já possui, se as intenções são malogradas, não consola o rico. A riqueza é como a água do mar: quanto mais a bebemos, mais sede sentimos.”
3) Teorias da conspiração. A frustração do desejo gera ódio e sentimento de ser vítima de injustiça. Para dar vazão a esse ódio o sofredor busca a causa da injustiça, o inimigo. Os juízes são os candidatos naturais, mas há quem ponha a culpa no técnico, em um jogador, na camisa, nos torcedores, no torcedor pé-frio, em si. Jó foi um dos mais radicais nessa busca por culpados, indo pedir satisfações a Deus; já seus companheiros diziam que tudo de ruim que aconteceu com ele era, de algum modo oculto, merecido. Há quem procure uma conspiração por trás de todas as derrotas, que una as frustrações numa só explicação, o que amplia a carga de ódio sobre esses supostos conspiradores.
Ódio e violência - O ódio e a violência que infelizmente ainda cerca o mundo do futebol, têm causas semelhantes ao ódio e à violência que ainda marca o convívio humano. Primeiro, o torcedor não acredita que seus infortúnios possam ser o resultado de causas não intencionais. Ao contrário, acredita firmemente que todo mal que lhe atinge é resultado de planos cruéis de inimigos. Cria e espalha teorias da conspiração, inflamadoras de ódio, sem deixar brecha para dúvida e exame crítico. No lugar da recomendável compaixão e interpretação caridosa em relação ao próximo, segue o princípio de atribuir aos outros sempre as piores intenções e uma maldade pura.
4) Inveja. Apesar de certa disputa pelo troféu de maior sofredor, ainda é possível conseguir certa união entre os torcedores com base no sofrimento compartilhado, na compaixão. Pensar que todos sofrem com erros de juízes, de goleiros, perdem copas e campeonatos em uma infelicidade, nos faz sentir irmãos. O que parece impossível é ser um pouco solidário e tolerante na alegria. O instituto do futebol mais difundido entre os torcedores é colocar água no chope dos outros. Justamente quando seu time vence e você quer desfilar sua glória pelos quatro cantos da cidade, você vai ouvir: "o juiz roubou", "que sorte, hein?", "cavalo paraguaio, ainda vai cair", "também, com aquele patrocinador", "a vida não é só futebol"; o torcedor do outro time vai se pegar a qualquer coisa para colocar água no seu chope.
6) O parentesco entre a dor e o prazer. Sócrates disse que embora os dois nunca estejam juntos, parecem estar ligados, pois não se consegue pegar um, sem o outro vir grudado. Arthur enxergou que a felicidade é uma quimera e o sofrimento é real, porque atrás de cada desejo satisfeito tem pelo menos uns dez na fila para tomar o lugar daquele. Assim, junto com uma corrente do budismo, ele achava que seria sábio não procurar a felicidade, mas orientar a vida para evitar ao máximo o sofrimento. Já Frederico entendeu que a felicidade e o sofrimento são como irmãs gêmeas que têm sempre a mesma altura. Se você procura o mínimo sofrimento, terá que se contentar com uma felicidade atrofiada; se você busca grande felicidade estará sujeito também a mais sofrimento. Assim, ao contrário de Arthur, convocava o homem a, como um herói, dizer sim à vida, na busca de grande felicidade, mesmo sabendo que esse também é o caminho de grande sofrimento. No Brasil, temos o poeta botafoguense do sim heróico à vida, que em apenas uma música escreveu: "a vida só se dá pra quem se deu, pra quem chorou, pra quem amou, pra quem sofreu"; "Não há mal pior do que a descrença" e "Eu francamente já não quero nem saber, de quem não vai porque tem medo de sofrer".
7) A distância e as relações entre narrativa e realidade. Aqui estão todas as narrativas, dos torcedores, dos adversários, dos jornalistas e influencers em torno de simples times e partidas de futebol. Narrativas que encantam, apaixonam e fazem sofrer, e por vezes transformam torcedores em fanáticos perigosos. É o que Sartre estudou como relações entre essência e realidade, e Karl Popper tratou como relações entre três mundos (três realidades), que chamou de Mundo 1 (o mundo físico), Mundo 2 (o mundo das emoções) e Mundo 3 (o mundo das narrativas humanas).
O futebol é um símbolo tão bom para a vida que poderia terminar esse pequeno ensaio com qualquer frase retirada dos grandes mestres da humanidade. Ouço Sêneca sussurrando ao meu ouvido: “Torcedor, nenhuma promessa lhe foi feita para este campeonato - não, exagerei em minha sugestão -, nenhuma promessa lhe foi feita até mesmo para este jogo.” Se não foi feita nenhuma promessa, também não foi rogada qualquer praga...
Mas nada é tão grave, nem na vida nem no futebol. É tudo uma dança de desejos. Alguns são satisfeitos, muitos frustrados. Euforia, alegria, desespero, tristeza, raiva... tudo passa, e precisamos aprender a deixar passar, se quisermos aprender a viver e a torcer.
Dizem que o sábio Bussunda tinha programado uma grande festa de aniversário no dia da final do campeonato carioca entre Flamengo e Botafogo em 1989. Justamente para juntar a comemoração do título do seu querido Flamengo com a do seu aniversário. Derrota do Flamengo, seus amigos foram surpreendidos por um Bussunda sorridente na porta da festa recebendo os convidados, aturando as gozações e a alegria dos botafoguenses. Perguntado como conseguia realizar tal proeza, Bussunda teria dito simplesmente: "Precisamos aprender a conjugar o verbo se fuder na 1ª pessoa".
(Fecha com o samba exaltação "Tô Tristão", da banda Casseta & Planeta )
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
Travessia, a vida de Milton Nascimento
Um menino de 54 anos de olhos marejados no metrô de Brasília. Ele lê Travessia, a vida de Milton Nascimento, no caminho para o trabalho.
As lágrimas não são de tristeza, nem de felicidade. São da emoção de visitar o mundo de Milton, o mundo místico do sentimento.
Obrigado, Milton! Obrigado, Maria Dolores, por vibrar (com as estórias do artista) uma corda de eternidade no coração desse homem comum que segue sua morte cotidiana.
Oh, mana, deixa eu ir
Oh, mana, eu vou só
Oh, mana, deixa eu ir
Para o Sertão do Caicó
domingo, 27 de maio de 2018
Vivendo e aprendendo a jogar
O mais triste nesse lance é que, depois que a bola bateu no pé do Benzema, o goleiro poderia ter corrido atrás dela para tentar evitar o gol. Mas ele ficou parado reclamando. Temos que tomar uma atitude mais prática diante da vida e seus problemas. Não é proibido reclamar. Depois de tentar evitar o gol, ele poderia tentar uma reclamação. Se não desse certo, paciência, absorver a pancada e se concentrar no jogo. Talvez não fosse possível evitar o gol. Mas o problema é desistir antes da hora, com a bola em jogo.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Notre voyage à Paris
Antes da viagem:
Passagens compradas com antecedências são garantia de bom preço, ou mesmo de ótima utilização dos seus pontos no Smiles ou no programa de sua companhia aérea.Aluguei um excelente apartamento, La Maisonnete, na Rue Scipion, nº 3, em uma região não turística do Quartier Latin, mas a poucas estações de metrô do burburinho (île de la Cité, île Saint Louis, e proximidades).
Para mais informações sobre o apartamento que eu aluguei, acesse https://parisapartments.shutterfly.com/.

Mas, mesmo que você alugue outro apartamento ou escolha um hotel, observe se no quarto há estrutura (mesa, micro-ondas, louça) para você tomar café e cear. Um dos grandes prazeres da viagem a Paris é beber e comer na sua “casa” a comida, a baguete, o queijo, o doce, e os vinhos que você comprou na boulangerie, na pâtisserie e no mercado mais próximos.
Aliás, essa é a grande dica para quem quer fazer uma excelente viagem à Paris sem gastar muito dinheiro. Os restaurantes são bem caros. Mas no supermercado você encontra produtos de excelente qualidade muito mais barato do que no Brasil. Então faça as refeições mais caprichadas no apartamento e coma comida simples e gostosa (sanduíche, pizza, crepe, massa, omelete) fora de casa.
![]() |
| O mercado perto de casa |
![]() |
| A padaria da esquina |
| Faltou foto das massas feitas no microondas com ementhal ralado |

Não deixe de comprar antes de viajar o ingresso para o topo da Torre Eifell (Sommet) com hora marcada. Vá no site da torre (http://www.toureiffel.paris/fr/preparer-sa-visite/acheter-ses-billets.html), mas fique atento para a abertura das vendas para a sua data, pois a entrada com direito de acesso ao topo nos melhores horários (eu comprei o de 17:30) esgotam rapidamente. Se deixar para comprar os ingressos para a torre Eiffel na hora, as filas são imensas!
Também comprei com antecedência o ingresso para o Musée de Monmartre (http://www.museedemontmartre.fr/), para a Casa e Jardins de Monet em Giverny (http://fondation-monet.com/), e as passagens de trem para os bate-volta: Bruxelas, Reims e Vernon-Giverni no site da SNCF (http://www.voyages-sncf.com/). Os preços dos trens de alta velocidade (TGV) podem custar até metade se o bilhete for comprado com 2 a 3 meses de antecedência. As passagens de trem podem ser impressas em casa, sem necessidade de validar na estação: basta ir a sua plataforma e entrar no trem.
O meu site favorito para de dicas de viagem é o Viaje na viagem (http://www.viajenaviagem.com/destino/paris)
No aeroporto Charles de Gaule:
No quiosque de informações turísticas pode ser comprado o excelente Paris Museum Pass (acesso facilitado ao Louvre, D'Orsay, Picasso, Pompidou, Orangerie, Saint Chapele, Conciergerie, Arco do Triunfo, etc.) e a passagem do RER B para a cidade. Também comprei o Paris Visit para 5 dias na região 1, mas na maioria dos casos é mais negócio comprar o carnet dix voyages (que são dez passes de transporte com desconto).Sobre o transporte público em Paris, visite o site da RATP (http://www.ratp.fr/fr/)
Album de fotos no Google Fotos:
sábado, 7 de março de 2015
As Aventuras de Pi, de Yann Martel
Acabei de ler A Vida de Pi (ou As Aventuras de Pi, por influência do título do filme no Brasil), de Yann Martel.
Piscine Molitor Patel (Pi Patel) conta duas histórias, uma fabulosa e outra verossímil: duas versões de sua sobrevivência no Pacífico em um bote salva-vidas depois do naufrágio do cargueiro TsimTsum.
A grande história do livro é a fábula. O outro relato, o "verdadeiro", tem um importante papel coadjuvante. Ele está ali para mostrar o contraste entre a crua realidade dos fatos, sem fermento, e o poder transformador das narrativas fabulosas.
O livro defende as grandes narrativas fabulosas, quer das religiões quer da literatura. Essas narrativas não estão aí para serem tomadas por fatos objetivos, como a narrativa que nossos sentidos faz da realidade. São mitos que existem para serem amados, vividos, abandonados e reinventados para, de repente, contaminar com sua magia a "realidade", enriquecendo-a de sentido.
Os sucessos conseguidos pela ciência, somados a uma má compreensão de como a ciência chegava a suas teorias, levou o homem moderno, a partir do século XVIII, a desconfiar de qualquer relato fantasioso, não compatível com a realidade observável. Estudiosos cristãos pensaram em produzir um novo testamento expurgando os milagres. Livros como As mil e uma noites foram considerados menores, infantis. Quem precisava continuar seguindo sua religião, começou a encarar seus mitos como relato literal da história, esvaziando-os de sua principal função metafórica.
Nada contra a literatura realista, mas em determinado momento somente o realismo era admitido. A fantasia era considerada ou infantil, ou contraproducente, ou mesmo perigosa.
Pi Patel sabe que não havia tigre de bengala, hiena nem ilha carnívora flutuante em sua aventura no Pacífico. Mas também sabe que a fábula que criou é a melhor história, e a mais verdadeira. A fábula é a história mais verdadeira, não porque reproduza os fatos com a fidelidade de uma câmera de vídeo, mas porque se aproxima da grandiosidade do sofrimento e do milagre que é a sua vida dentro do universo, explica e dá sentido ao seu minúsculo ser.
Piscine Molitor Patel (Pi Patel) conta duas histórias, uma fabulosa e outra verossímil: duas versões de sua sobrevivência no Pacífico em um bote salva-vidas depois do naufrágio do cargueiro TsimTsum.
A grande história do livro é a fábula. O outro relato, o "verdadeiro", tem um importante papel coadjuvante. Ele está ali para mostrar o contraste entre a crua realidade dos fatos, sem fermento, e o poder transformador das narrativas fabulosas.
O livro defende as grandes narrativas fabulosas, quer das religiões quer da literatura. Essas narrativas não estão aí para serem tomadas por fatos objetivos, como a narrativa que nossos sentidos faz da realidade. São mitos que existem para serem amados, vividos, abandonados e reinventados para, de repente, contaminar com sua magia a "realidade", enriquecendo-a de sentido.
Os sucessos conseguidos pela ciência, somados a uma má compreensão de como a ciência chegava a suas teorias, levou o homem moderno, a partir do século XVIII, a desconfiar de qualquer relato fantasioso, não compatível com a realidade observável. Estudiosos cristãos pensaram em produzir um novo testamento expurgando os milagres. Livros como As mil e uma noites foram considerados menores, infantis. Quem precisava continuar seguindo sua religião, começou a encarar seus mitos como relato literal da história, esvaziando-os de sua principal função metafórica.
Nada contra a literatura realista, mas em determinado momento somente o realismo era admitido. A fantasia era considerada ou infantil, ou contraproducente, ou mesmo perigosa.
Pi Patel sabe que não havia tigre de bengala, hiena nem ilha carnívora flutuante em sua aventura no Pacífico. Mas também sabe que a fábula que criou é a melhor história, e a mais verdadeira. A fábula é a história mais verdadeira, não porque reproduza os fatos com a fidelidade de uma câmera de vídeo, mas porque se aproxima da grandiosidade do sofrimento e do milagre que é a sua vida dentro do universo, explica e dá sentido ao seu minúsculo ser.
- Mas contar alguma coisa, usando as palavras, seja em inglês ou em japonês, já não é de certa forma uma invenção? O simples fato de olhar para esse mundo já não é de certa forma uma invenção?
- Hum...
- O mundo não é apenas do jeito que ele é. É também como nós o compreendemos, não é mesmo? E, ao compreender alguma coisa, trazemos alguma contribuição nossa, não é mesmo? Isso não faz da vida uma história?
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Fracasso
Não devemos nos apavorar com o fracasso.
Sucesso e fracasso são dois lados da mesma moeda, assim como coragem e medo, alegria e tristeza, vida e morte. Do mesmo modo que não podemos possuir de uma moeda apenas uma face, não podemos ter apenas sucesso, coragem, alegria e vida.
Sucesso é conseguir realizar uma tarefa a qual nos propomos, e fracasso é não consegui-lo. Mas a tarefa tem de ser difícil, a ponto de não sabermos de antemão se seremos bem-sucedidos.
O fracasso é sempre triste, uma frustração do desejo. Mas não é só isso. Significa que estamos buscando algo impossível ou fora do nosso alcance, ou então que não estamos buscando da maneira certa (talvez com muita pressa). É preciso refletir, para decidir se é o caso de desistir, e buscar outros desafios; ou de continuar procurando o mesmo alvo, corrigindo a postura e a mira.
De qualquer maneira, o medo, ou melhor, ser dominado pelo medo do fracasso não leva ao sucesso. Ao contrário, leva à apatia. Para não fracassar, evitamos planejar caminhos difíceis e incertos. Fazemos apenas aquilo que temos a certeza de conseguir sem esforço, mas que, se não nos ameaça com a frustração do fracasso, também nunca poderá nos dar a satisfação do sucesso. Ficamos amargos, reclamando da vida, do destino, do governo, do calor, do frio...
Sucesso e fracasso são dois lados da mesma moeda, assim como coragem e medo, alegria e tristeza, vida e morte. Do mesmo modo que não podemos possuir de uma moeda apenas uma face, não podemos ter apenas sucesso, coragem, alegria e vida.
Sucesso é conseguir realizar uma tarefa a qual nos propomos, e fracasso é não consegui-lo. Mas a tarefa tem de ser difícil, a ponto de não sabermos de antemão se seremos bem-sucedidos.
O fracasso é sempre triste, uma frustração do desejo. Mas não é só isso. Significa que estamos buscando algo impossível ou fora do nosso alcance, ou então que não estamos buscando da maneira certa (talvez com muita pressa). É preciso refletir, para decidir se é o caso de desistir, e buscar outros desafios; ou de continuar procurando o mesmo alvo, corrigindo a postura e a mira.
De qualquer maneira, o medo, ou melhor, ser dominado pelo medo do fracasso não leva ao sucesso. Ao contrário, leva à apatia. Para não fracassar, evitamos planejar caminhos difíceis e incertos. Fazemos apenas aquilo que temos a certeza de conseguir sem esforço, mas que, se não nos ameaça com a frustração do fracasso, também nunca poderá nos dar a satisfação do sucesso. Ficamos amargos, reclamando da vida, do destino, do governo, do calor, do frio...
Medo
Que seria do homem sem o medo?
Talvez o próprio bem, virtude mais admirada, não existisse sem a colaboração do medo. Não estou dizendo que o bem não existe, que é um disfarce do medo, longe disso. Mas dificilmente alguém chegaria a ser bom se o medo não abrisse um vazio entre o desejo e a ação, entre a volúpia e a busca do prazer. É nesse vazio criado pelo medo que pode entrar o eu e o outro. É nesse vazio que surge o humano e a coragem de ser humano.
Talvez o próprio bem, virtude mais admirada, não existisse sem a colaboração do medo. Não estou dizendo que o bem não existe, que é um disfarce do medo, longe disso. Mas dificilmente alguém chegaria a ser bom se o medo não abrisse um vazio entre o desejo e a ação, entre a volúpia e a busca do prazer. É nesse vazio criado pelo medo que pode entrar o eu e o outro. É nesse vazio que surge o humano e a coragem de ser humano.
Egoísmo
Ao ensinar compaixão ao rei Pasenadi de Kosala, o Buda diz: “Quem ama o eu, não deve ferir o eu do outro”. Para muitos, o Buda buscava apenas falar à mente do rei, que se confessara por demais apegado. Mas é possível também outra interpretação. Talvez o Buda tenha reconhecido o egoísmo como raiz fundamental do amor-próprio e da compaixão. Cortada a raiz do egoísmo, a compaixão ou morre ou se deforma.
Quem ama a si, ao se colocar no lugar do outro, sente compaixão.
Mas quem despreza a si mesmo, ao se posicionar no lugar do outro, só consegue sentir indiferença, desrespeito, ódio.
Quem ama a si, ao se colocar no lugar do outro, sente compaixão.
Mas quem despreza a si mesmo, ao se posicionar no lugar do outro, só consegue sentir indiferença, desrespeito, ódio.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
3x4 na rodoviária do Plano Piloto
A mãe batia palmas por cima da cabeça. 4 ou 5 curiosos completavam o público do breve espetáculo. Em pé no banquinho que fazia as vezes de palco compulsório, a menininha, de vestido novo e cachinhos pretos cuidadosamente arrumados, pendia a cabeça e olhava fixamente para baixo. Era a única maneira de não ver a mãe batendo palmas, atraindo mais gente para vê-la tirar o retrato. O fotógrafo sorria e aguardava que a menina erguesse a cabeça.
Segui meu caminho sem ver o desfecho da cena (drama para a menina, comédia para o público).
Seria bom que a mãe desistisse e pedisse ao fotógrafo que batesse a foto da menina assim mesmo, olhando para baixo. O 3x4 não ia servir para o documento, mas seria um belo registro da menina que, não podendo impedir o olhar dos outros, recusou-se a olhar os outros que a olhavam.
Segui meu caminho sem ver o desfecho da cena (drama para a menina, comédia para o público).
Seria bom que a mãe desistisse e pedisse ao fotógrafo que batesse a foto da menina assim mesmo, olhando para baixo. O 3x4 não ia servir para o documento, mas seria um belo registro da menina que, não podendo impedir o olhar dos outros, recusou-se a olhar os outros que a olhavam.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Brasilia: moradores e passageiros
As pessoas daqui sentem pena de mim por ter saído de Minas, "uma terra tão boa", para vir morar em Brasília.
Minas é uma terra boa, mas o Distrito Federal também é.
Muitos moradores de Brasília não gostam daqui porque vieram por necessidade, atrás de emprego. Eu, ao contrário, quis vir pra cá e estou gostando.
Mas mesmo quem está aqui por necessidade deveria aprender a máxima de Sêneca: querer o mesmo que a necessidade o força a fazer.
Minas é uma terra boa, mas o Distrito Federal também é.
Muitos moradores de Brasília não gostam daqui porque vieram por necessidade, atrás de emprego. Eu, ao contrário, quis vir pra cá e estou gostando.
Mas mesmo quem está aqui por necessidade deveria aprender a máxima de Sêneca: querer o mesmo que a necessidade o força a fazer.
domingo, 26 de janeiro de 2014
A vida é problema, tentativa de solução, e pausa,
A vida é problema, e solução,
Homeopatia, acupuntura ou floral. Cristianismo, budismo ou taoísmo. Espiritismo ou meditação transcendental. Psicologia ou psicanálise (freudiana, junguiana, lacaniana ou existencialista).
Tudo isso funciona, desde que você esteja disposto a encarar os seus problemas, buscar as soluções e se esforçar.
É o sempre novo e difícil ensinamento de não se revoltar com o cisco no olho do outro, mas observar e tirar a trava dos nossos olhos. Porque tanto problema como solução não estão fora de nós.
O filósofo Karl Popper propôs que a essência da vida e da mente humana é a percepção de problemas e as tentativas de resolver esses problemas. Mas não podemos esquecer que as pausas (o sono, o domingo, o dolce far niente) também são essenciais. Então, corrigindo: a vida é problema, tentativa de solução, e pausa,
Homeopatia, acupuntura ou floral. Cristianismo, budismo ou taoísmo. Espiritismo ou meditação transcendental. Psicologia ou psicanálise (freudiana, junguiana, lacaniana ou existencialista).
Tudo isso funciona, desde que você esteja disposto a encarar os seus problemas, buscar as soluções e se esforçar.
É o sempre novo e difícil ensinamento de não se revoltar com o cisco no olho do outro, mas observar e tirar a trava dos nossos olhos. Porque tanto problema como solução não estão fora de nós.
O filósofo Karl Popper propôs que a essência da vida e da mente humana é a percepção de problemas e as tentativas de resolver esses problemas. Mas não podemos esquecer que as pausas (o sono, o domingo, o dolce far niente) também são essenciais. Então, corrigindo: a vida é problema, tentativa de solução, e pausa,
A falecida, de Nelson Rodrigues
Em A falecida, homens e mulheres vivem em mundos completamente diferentes e mutuamente incompreensíveis. A peça gira em torno do casal Zulmira e Tuninho; ele desempregado e ela doente. Enquanto Zulmira está obcecada em conseguir um enterro de luxo para si, Tuninho só pensa no Vasco x Fluminense de Domingo. De maneira genial, jogo e enterro vão acontecer no mesmo dia.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Insista!
Toda a filosofia de Karl Popper, considerado um dos filósofos mais importante do século XX, parte da ideia simples de que podemos aprender com nossos erros. Com essa ideia central, ele desenvolveu sua filosofia da ciência, exposta no livro Lógica da Pesquisa Científica, e sua defesa da democracia contra os regimes autoritários, no antológico A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, publicado depois da 2ª Guerra Mundial.
Podemos aprender com nossos erros. Note: podemos aprender, mas não aprendemos necessariamente com os nossos erros. Podemos também, e normalmente o fazemos, nos agarrar dogmaticamente às nossas ideias e ações, reagindo às críticas e a qualquer insinuação de que possamos estar errados.
Podemos aprender com nossos erros. Aliás, só podemos aprender com os nossos erros. Quando tentamos qualquer coisa, podemos acertar de primeira por sorte; mas não aprendemos, e vamos errar em novas tentativas. Podemos acertar de primeira alguma coisa tão simples que já sabíamos, como gritar, mas isso também não é aprender. E, finalmente, podemos errar com a convicção de estarmos certos; nesse caso, além de errar, não vamos aprender enquanto durar nossa arrogância.
Podemos aprender com nossos erros. Essa ideia central, que Karl Popper usou para desenvolver sua filosofia, também serve para lançarmos um olhar mais compassivo para os outros e para nós mesmos.
Podemos aprender com nossos erros. Portanto, não se desespere nem se envergonhe de seus tropeços, dos caminhos equivocados, da falta de jeito, das grandes e das pequenas dificuldades. É normal, é humano. Perdoemo-nos uns aos outros nossas bobagens. A boa notícia é que podemos ir além de nós mesmo, além de nossas capacidades, se nos dispusermos a aprender com nossos erros. Portanto, não desista; insista.
Podemos aprender com nossos erros. Note: podemos aprender, mas não aprendemos necessariamente com os nossos erros. Podemos também, e normalmente o fazemos, nos agarrar dogmaticamente às nossas ideias e ações, reagindo às críticas e a qualquer insinuação de que possamos estar errados.
Podemos aprender com nossos erros. Aliás, só podemos aprender com os nossos erros. Quando tentamos qualquer coisa, podemos acertar de primeira por sorte; mas não aprendemos, e vamos errar em novas tentativas. Podemos acertar de primeira alguma coisa tão simples que já sabíamos, como gritar, mas isso também não é aprender. E, finalmente, podemos errar com a convicção de estarmos certos; nesse caso, além de errar, não vamos aprender enquanto durar nossa arrogância.
Podemos aprender com nossos erros. Essa ideia central, que Karl Popper usou para desenvolver sua filosofia, também serve para lançarmos um olhar mais compassivo para os outros e para nós mesmos.
Podemos aprender com nossos erros. Portanto, não se desespere nem se envergonhe de seus tropeços, dos caminhos equivocados, da falta de jeito, das grandes e das pequenas dificuldades. É normal, é humano. Perdoemo-nos uns aos outros nossas bobagens. A boa notícia é que podemos ir além de nós mesmo, além de nossas capacidades, se nos dispusermos a aprender com nossos erros. Portanto, não desista; insista.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
A paisagem da vida e nós
A paisagem da vida é estupenda e bela. Mas, para os estabanados construtores dessa paisagem (nós), viver é quase sempre conflito e sofrimento.
Somos todos falíveis, o caminho de cada um é feito de tentativas, erros, aprendizagem, novas tentativas, novos erros e novas descobertas. Desejo diluído em dúvida e medo.
Por isso a lei entre os homens não é julgar uns aos outros (nem a si mesmo), mas amar uns aos outros (e a si mesmo).
Erramos o tempo todo; mas de repente, aqui e ali, de tanto tentar e corrigir, mesmo sem saber, também acertamos.
Somos todos falíveis, o caminho de cada um é feito de tentativas, erros, aprendizagem, novas tentativas, novos erros e novas descobertas. Desejo diluído em dúvida e medo.
Por isso a lei entre os homens não é julgar uns aos outros (nem a si mesmo), mas amar uns aos outros (e a si mesmo).
Erramos o tempo todo; mas de repente, aqui e ali, de tanto tentar e corrigir, mesmo sem saber, também acertamos.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Aposentadoria
Outros que entrem no mar agitado
Furem ondas
Peguem jacarés
Descubram ilhas virgens
Meu tempo passou
Quero calmamente descansar
Da areia
Na sombra
Com meu pijama
Observo a vida sem nela entrar
Furem ondas
Peguem jacarés
Descubram ilhas virgens
Meu tempo passou
Quero calmamente descansar
Da areia
Na sombra
Com meu pijama
Observo a vida sem nela entrar
2 meninos no mar
terça-feira, 9 de julho de 2013
No seu aniversário, o que você quer?
O aniversário é nosso Reveillon pessoal, a passagem de mais um ano em nossas vidas.
Como no ano novo, devemos soltar fogos. Prestar atenção e comemorar com os amigos o mistério e o milagre que é a nossa vida.
Como no ano novo, o aniversário também é um momento de reflexão. Relembrar nossa vida e pensar sobre o que temos feito dela. E buscar no nosso interior, no silêncio de depois da festa, o que queremos ser. Há uma história da tradição judaica que revela o sentido desta busca:
“Por que estás tão irrequieto?”, perguntou o discípulo ao Rabino Sússia, ao vê-lo em seus momentos finais de vida.
“Tenho medo”, respondeu Sússia.
“Medo de quê, rabino?”.
“Medo do Tribunal Celeste”.
“Tu? Um homem tão piedoso, cuja vida foi exemplar? Se tu tens medo, imagine nós, cheios de defeitos e imperfeições.”
Rabino Sússia, então, diz: “Não temo ser inquerido por não ter sido como o profeta Moisés, não deixei um legado de seu porte. Eu posso me defender dizendo que eu não fui como Moisés porque eu não sou Moisés. Nem temo que me cobrem profecias como as de Maimônides, por eu não ter oferecido ao mundo a qualidade de sua obra e seu talento. Eu posso me defender dizendo que eu não fui como Maimônides porque eu não sou Maimônides. O que me apavora neste momento é que me venham indagar: ‘Sússia, por que não foste Sússia’?”
(A história do rabino Sussia foi contada na peça A alma imoral)
Como no ano novo, devemos soltar fogos. Prestar atenção e comemorar com os amigos o mistério e o milagre que é a nossa vida.
Como no ano novo, o aniversário também é um momento de reflexão. Relembrar nossa vida e pensar sobre o que temos feito dela. E buscar no nosso interior, no silêncio de depois da festa, o que queremos ser. Há uma história da tradição judaica que revela o sentido desta busca:
“Por que estás tão irrequieto?”, perguntou o discípulo ao Rabino Sússia, ao vê-lo em seus momentos finais de vida.
“Tenho medo”, respondeu Sússia.
“Medo de quê, rabino?”.
“Medo do Tribunal Celeste”.
“Tu? Um homem tão piedoso, cuja vida foi exemplar? Se tu tens medo, imagine nós, cheios de defeitos e imperfeições.”
Rabino Sússia, então, diz: “Não temo ser inquerido por não ter sido como o profeta Moisés, não deixei um legado de seu porte. Eu posso me defender dizendo que eu não fui como Moisés porque eu não sou Moisés. Nem temo que me cobrem profecias como as de Maimônides, por eu não ter oferecido ao mundo a qualidade de sua obra e seu talento. Eu posso me defender dizendo que eu não fui como Maimônides porque eu não sou Maimônides. O que me apavora neste momento é que me venham indagar: ‘Sússia, por que não foste Sússia’?”
(A história do rabino Sussia foi contada na peça A alma imoral)
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Não à passividade. Não à violência.
A identificação de problemas e a vontade de participar na construção de um mundo melhor é o próprio instinto da vida. Então, quando as pessoas não querem fazer nada, afirmam que o mundo é assim mesmo, que nada pode melhorar; é hora de dizer: mais, mais. A história humana é cheia de conquistas obtidas pela participação pacífica das pessoas, pela adoção de causas, pela mudança de atitude, pelo engajamento persistente e realista na busca de diminuir nossas misérias.
A ideia de que da destruição violenta das pessoas e instituições que estão no poder milagrosamente surgirá um mundo melhor é parente próxima da ideia de passividade, pois também acredita que nada pode ser feito para melhorar, por isso o caminho é a destruição. Então, quando as pessoas querem mudança já, a qualquer custo e de qualquer maneira; quando não pensam nas consequências imediatas de seus atos; quando pregam a violência e a destruição como forma de mudança; é hora de dizer: menos, menos. A história humana também é cheia de exemplos de como os movimentos destrutivos e violentos (que podem crescer em meio a movimentos pacíficos) pioram o mundo; primeiro pelas vítimas da violência (o que não é pouco), depois ou pelo endurecimento das instituições no poder, o que dificulta e atrasa as mudanças necessárias, ou pela destruição das instituições e da legalidade, gerando mais violência até que um poder mais autoritário, forte e injusto se estabeleça.
A ideia de que da destruição violenta das pessoas e instituições que estão no poder milagrosamente surgirá um mundo melhor é parente próxima da ideia de passividade, pois também acredita que nada pode ser feito para melhorar, por isso o caminho é a destruição. Então, quando as pessoas querem mudança já, a qualquer custo e de qualquer maneira; quando não pensam nas consequências imediatas de seus atos; quando pregam a violência e a destruição como forma de mudança; é hora de dizer: menos, menos. A história humana também é cheia de exemplos de como os movimentos destrutivos e violentos (que podem crescer em meio a movimentos pacíficos) pioram o mundo; primeiro pelas vítimas da violência (o que não é pouco), depois ou pelo endurecimento das instituições no poder, o que dificulta e atrasa as mudanças necessárias, ou pela destruição das instituições e da legalidade, gerando mais violência até que um poder mais autoritário, forte e injusto se estabeleça.
sábado, 18 de maio de 2013
Bondade
Enquanto a bondade for vista apenas como sacrifício em benefício dos outros, quase ninguém vai conseguir ser bom. O que nos permite ser bons é que a bondade é também um sacrifício em benefício próprio. Somos bons porque o sacrifício da bondade é menor do que a satisfação que ela proporciona.
O benefício da bondade é quase sempre de natureza diversa do sacrifício que ela exige. Por isso quem se sacrifica esperando algo (reconhecimento, sucesso, felicidade) em troca, geralmente se decepciona.
Cuidado com a palavra sacrifício. O que é sacrificado é o exagero, a ganância, alguns prazeres imediatos e destrutivos. Sacrifício, bem entendido, é uma entrega que vale a pena. Se eu sinto essa entrega como um grande sacrifício, talvez haja algo errado.
O benefício da bondade é quase sempre de natureza diversa do sacrifício que ela exige. Por isso quem se sacrifica esperando algo (reconhecimento, sucesso, felicidade) em troca, geralmente se decepciona.
Cuidado com a palavra sacrifício. O que é sacrificado é o exagero, a ganância, alguns prazeres imediatos e destrutivos. Sacrifício, bem entendido, é uma entrega que vale a pena. Se eu sinto essa entrega como um grande sacrifício, talvez haja algo errado.
Assinar:
Postagens (Atom)









