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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Antologia de Manuel Bandeira

Poesia é síntese criativa. Dispensa exemplos. Ou é o exemplo dado de tal forma que reflita o mundo. Dispensa explicações que não sejam poéticas. Manuel Bandeira, além de ser sintético na sua poesia, foi sintético na obra. Publicou apenas o essencial. Por isso, não faz sentido fazer uma antologia de poemas de Manuel Bandeira. Sua obra já é antológica, e o livro Estrela da Vida Inteira reune todas as suas poesias. Mas o próprio Manuel Bandeira fez uma antologia de si mesmo, reunindo em um poema as frases mais ricas de sua poesia. O poema chamado Antologia pode ser lido abaixo, com indicação dos poemas de onde foram recolhidas as frases.

Antologia (Manuel Bandeira)

A vida
Não vale a pena e a dor de ser vivida.
Os corpos se entendem mas as almas não.
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Vou-me embora p’ra Pasárgada!
Aqui eu não sou feliz.

Quero esquecer tudo:
- A dor de ser homem...
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.

Quero descansar
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei...
a vida inteira que podia ter sido e não foi.
Quero descansar.
Morrer.
Morrer de corpo e alma.
Completamente.
(Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.)
Quando a Indesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
(Poemas: Soneto Inglês nº 2; Arte de Amar; Pneumotórax; Vou-me embora p’ra Pasárgada; Cantiga; Presepe; Resposta a Vinícius; Cantiga; Poema Só para Jaime Ovalle; Pneumotórax; Cantiga; A Morte Absoluta; Lua Nova; Consoada)

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